História Natural do Guaxo (Psarocolius decumanus) (Aves: Icteridae) na região de Cacoal - RO.
Daiane Dezan¹ & Paulo Sérgio Bernarde²
1 = Acadêmica do Curso de Ciências Biológicas da Facimed. * Tema de Monografia de Bacharelado defendida em 2005.
2 = UFAC - Campus Floresta - Cruzeiro do Sul - AC.
Psarocolius decumanus é uma ave conhecida popularmente como guaxo ocorrendo em todas as regiões do Brasil, exceto no Rio Grande do Sul. Em alguns estados, como o Paraná, por exemplo, esta espécie está ameaçada de extinção devido à destruição dos hábitats. Vive em matas úmidas e bordas de matas, matas secundárias e clareiras com árvores altas esparsas, onde constroem ninhos em forma de bolsas em colônias. Os adultos alimentam-se preferencialmente de frutos. Devida a relativa escassez de trabalhos científicos sobre aspectos biológicos das espécies de Psarocolius (Aves: Icterinae) e a ocorrência de P. decumanus em ambientes antrópicos (rurais e urbanos), torna-se importante um estudo sobre esses pássaros. Nesse projeto foram estudados aspectos biológicos e ecológicos do guaxo (P. decumanus) na região de Cacoal, enfocando principalmente o comportamento reprodutivo. Foram procuradas árvores contendo colônias reprodutivas nas áreas rurais e urbanas de Cacoal, Espigão do Oeste, Pimenta Bueno e Rolim de Moura durante os anos de 2004 e 2005. A atividade reprodutiva de uma colônia localizada em uma árvore em área urbana de Cacoal foi acompanhada. Psarocolius decumanus é uma espécie de icteríneo que apresenta o sistema de acasalamento do tipo poliginia (um macho com mais de uma fêmea), construindo ninhos em forma de bolsas agrupados em colônias em árvores. Não foram observadas associações com colônias de outras espécies de icteríneos e nem com vespeiros nas áreas urbanas e rurais. O período da atividade reprodutiva ocorre preferencialmente nos meses com menores índices pluviométricos. A construção do ninho leva em média 19,3 dias, materiais de ninhos antigos não são reutilizados e o macho não auxilia na construção do ninho. As causas de mortalidade registradas foram ninhos derrubados por forte vento (matando dois filhotes) e um adulto que morreu eletrocutado em fio de alta tensão. Apenas um predador foi observado: gavião-tesoura (Elanus forficatus). Nas áreas urbanas e rurais foram registradas colônias reprodutivas em seis espécies de árvores (Bertholetia excelsa, Tabebuia serratifolia, Jacaranda brasiliana, Eucaliptus globulus, uma espécie de Palmaceae e outra de Caesalpinioidea). Como abrigo noturno, utilizam bambuzais. Foram observados indivíduos se alimentando de frutos de cinco espécies de árvores exóticas (Anacardium occidentale, Carica papaya, Morus nigra, Psiduim guayaba e Persea americano). A disponibilidade de certas espécies de árvores que são utilizadas para formação de colônias reprodutivas e outras que produzem frutos nas áreas urbanas e rurais permite a sobrevivência dessa espécie nesses ambientes antrópicos.
Colônia de Japus (Psarocolius decumanus) que vem sendo acompanhada durante o período de reprodução. Foto por P. S. Bernarde.
Fêmea de Japu (Psarocolius decumanus) saindo de um ninho em construção. Foto por P. S. Bernarde.
Fêmea de Japu (Psarocolius decumanus) junto ao ninho. Foto por P. S. Bernarde
Macho de Japu (Psarocolius decumanus) em comportamento de apresentação devido a chegada de uma fêmea. Foto por P. S. Bernarde.
Um japu (Psarocolius decumanus) macho. Foto por P. S. Bernarde.
Casal de Japus (Psarocolius decumanus) em cópula. Foto por P. S. Bernarde.
Casal de Japus (Psarocolius decumanus) em cópula. Foto por P. S. Bernarde.
Fêmea de Japu (Psarocolius decumanus) trazendo inseto para filhote. Foto por P. S. Bernarde.
Fêmea de Japu (Psarocolius decumanus) trazendo material para construção de ninho. Foto por P. S. Bernarde.
Colônia de Japu (Psarocolius decumanus) em um coqueiro. Foto por R. A. Machado.
Colônia de Japu (Psarocolius decumanus) em uma árvore. Foto por R. A. Machado.
Japu (Psarocolius decumanus) macho encontrado morto eletrocutado em fiação. Foto por R. A. Machado.