COMPOSIÇÃO FAUNÍSTICA, ECOLOGIA E HISTÓRIA NATURAL DE SERPENTES EM UMA LOCALIDADE NO SUDOESTE DA AMAZÔNIA, RONDÔNIA - BRASIL. *
Esta pesquisa corresponde a minha tese de doutorado.
Em Espigão do Oeste (Rondônia) foi registrada uma riqueza de 56 espécies de serpentes, apresentando uma maior similaridade faunística com a Usina Hidrelétrica de Samuel (RO), localizada relativamente próximo da área de estudo. As serpentes mais comuns foram Liophis reginae (18,6% do total), Oxyrhopus melanogenys (8,4%), Chironius exoletus (6%), Boa constrictor (5,8%), Dipsas catesbyi (5,6%) e Drymarchon corais (5,6%). A freqüência de Bothrops atrox, o viperídeo mais abundante na Amazônia, foi considerado baixo (2%). Um menor número de serpentes foi registrado durante os meses mais secos (junho - agosto), que também coincidiu com a menor ocorrência de anfíbios anuros. Observando a freqüência de potenciais presas (anuros, lagartos, marsupiais e roedores) sazonalmente registrada através das armadilhas de interceptação e queda (todos os grupos), procura limitada por tempo (lagartos dormindo sobre a vegetação à noite e anuros em atividade de vocalização), observa-se que houve disponibilidade de alimento ao longo do ano, embora cada grupo tenha ocorrido em diferentes níveis e picos de abundância. Os principais tipos de presas utilizados pelas serpentes nesta comunidade são lagartos (55,3% das espécies), seguido de anuros (48,2%), mamíferos (26,8%), aves (12,5%) e serpentes (12,5%). Uma análise de agrupamento utilizando dados de tamanho (comprimento rostro-cloacal) e de utilização de recursos (hábitos alimentares, período e substrato de forrageio) originou oito grupos (“guildas”) de serpentes. Nesta análise de agrupamento, foram reunidas tanto espécies próximas como distantes filogeneticamente, denotando a importância de fatores históricos e ecológicos na estruturação desta comunidade. Maior número de espécies de serpentes foi encontrado dentro de florestas, em relação aos ambientes de pastagens, demonstrando o decréscimo de espécies com a alteração da estrutura vegetal. Dentre os fatores que podem estar favorecendo ou limitando a ocorrência de determinadas espécies nas áreas desmatadas para formação de pastagens, podem ser citados o aumento da taxa de predação, limitações nas atividades de forrageio e de termo-regulação e a diminuição de oferta de alguns tipos de presas.
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* Projeto patrocinado pela Fundação o Boticário de Proteção à Natureza.


Boa constrictor encontrada durante procura limitada por tempo. Foto por P. S. Bernarde.

Epicrates cenchria encontrada a noite durante procura limitada por tempo. Foto por P. S. Bernarde.

Atractus latifrons capturada em pitfall. Foto por P. S. Bernarde.

Chironius exoletus. Foto por P. S. Bernarde.

Chironius exoletus encontrada dormindo a noite durante procura limitada por tempo. Foto por P. S. Bernarde.

Drepanoides anomalus. Foto por P. S. Bernarde.

Dipsas catesbyi encontrada em repouso a noite durante procura limitada por tempo. Foto por P. S. Bernarde.

Drymarchon corais encontrada explorando um buraco no chão durante o dia. Espécime de 2,40 metros de comprimento. Foto por P. S. Bernarde.

Drymarchon corais. Foto por P. S. Bernarde.

Drymoluber dichrous. Foto por P. S. Bernarde.

Leptophis ahaetulla encontrada durante a noite dormindo a quatro metros de altura. Foto por P. S. Bernarde.

O espécime de Leptophis ahaetulla no momento da captura. Foto por P. S. Bernarde.

Micrurus hemprichii. Foto por P. S. Bernarde.

Micrurus spixii. Foto por P. S. Bernarde.